Conhecer o Mercado de Empréstimos P2P

Conhecer o Mercado de Empréstimos P2P
A indústria de empréstimos P2P está a crescer de $26Bn em 2015 a uma taxa de 48.2%, estimando-se que atinja uma dimensão de mercado total de $897Bn em 2024.

Uma Introdução à Indústria P2P: 2 de 7

Queres controlar a tua situação financeira e obter rendimentos das tuas poupanças como investidor? O objectivo desta série de artigos é introduzir-te aos empréstimos P2P (crowdlending) e ajudar-te a decidir se esta classe de activos de investimento faz sentido no teu portfólio pessoal!

Porquê incluir empréstimos P2P entre os teus investimentos foi a primeira publicação desta série.


O Mercado de Empréstimos P2P

A indústria de empréstimos P2P é relativamente recente. A primeira plataforma P2P foi criada em 2005, mas desde esse momento a indústria tem vindo a crescer rapidamente. Em especial, após a crise financeira de 2008, com a perda de confiança dos agentes de mercado nas intituições bancárias. Uma vez que se trata de uma indústria emergente, ainda não existem fontes estatísticas globais, tornando muito difícil aferir a real dimensão da indústria. Contudo, existem relatórios de entidades independentes credíveis que oferecem algumas estimativas.

Global P2P Lending Market @ Savings4Freedom
O mercado global de empréstimos P2P entre 2014-2022. Crédito: Allied Market Research

A empresa Transparency Market estima que o mercado global da indústria de empréstimos P2P tenha atingido o valor de $26 mil milhões em 2015 e prevê que o grau de crescimento composto anual (CAGR) venha a ser de 48.2% entre 2016-2024 atingindo uma dimensão de mercado total no valor de $897 mil milhões no final de 2024.

O banco norte americano Morgan Stanley previu em 2015 que o mercado global de empréstimos P2P atinja $490 mil milhões em 2020, com os Estados Unidos a contribuir para 45% do total do mercado de empréstimos P2P. Um relatório da empresa BI Intelligence estimou que em 2015 o mercado de empréstimos P2P nos Estados Unidos tenha gerido cerca de $6.6 mil milhões em empréstimos, tornando o mercado Norte Americano o maior a nível de volume de empréstimos a nível global.

O que o Futuro Reserva?

A Europa é o próximo grande mercado para investimentos P2P. O Cambridge Centre for Alternative Finance estimou que o mercado de empréstimos P2P europeu tenha atingido €7.7 mil milhões em 2016.

A nível regional, o mercado de empréstimos P2P tem vindo a ganhar tracção e a expandir-se de mercados maduros como os Estados Unidos e a Europa para várias outras regiões globais tais como Ásia-Pacífico, América do Sul e Médio Oriente & África. O mercado de empréstimos P2P na Ásia-Pacífico, mesmo com a experiência Chinesa que vai ser apresentada a seguir, irá crescer de forma muito rápida nos próximos anos pela presença massiva de uma população em idade escolar em países em desenvolvimento e pelo número crescente de negócios de pequena dimensão que procuram financiar os seus projectos.

Lições da China

Até 2018 um dos maiores mercados activos era a China, com mais de 4000 empresas de empréstimos P2P. Contudo, em Junho de 2018 o mercado colapsou, tendo muitas plataformas P2P entrado em falência e tendo os investidores perdido o seu dinheiro.

O Escândalo Ezubao

Em 2016, a plataforma de gestão de empréstimos P2P Ezubao, uma entre as maiores 10 plataformas P2P na China nesse momento, foi fechada pelas autoridades chinesas e 21 executivos da empresa foram presos. Apesar de a Ezubao apenas ter sido lançada em Julho de 2014, rapidamente cresceu atraindo centenas de milhares de investidores individuais com promessas de retornos entre 9-15%.

A escala da fraude tira a respiração a qualquer pessoa. Cerca de 900,000 investidores individuais perderam colectivamente mais de $7.6 mil milhões de dólares americanos, de acordo com as autoridades chinesas. Na realidade tratou-se do segundo maior esquema de Ponzi alguma vez criado, sendo o caso Madoff o primeiro. Foi reportado que 95% de todos os empréstimos listados na Ezubao eram fraudulentos. Entretanto, os executivos da empresa usaram o dinheiro dos investidores para seu enriquecimento individual, com gastos desde casas, carros a bens de luxo de todo o tipo.

O colapso da indústria de empréstimos P2p na China

De 2016 to 2018… Mais e mais plataformas…

Mas a indústria racionalizou este evento como sendo apenas uma má maçã entre as plataformas. Os reguladores anunciaram novas regras para a indústria no início de 2016 e a noção existente na altura era que as plataformas fortes iriam adaptar-se e continuar a ter uma boa performance. E isso foi o que aconteceu durante os dois anos seguintes. Mas em 2018, começaram a surgir problemas sérios. Esse ano acabou por transformar-se no ano horrível da indústria de empréstimos P2P na China.

A indústria P2P tinha crescido até existirem mais de 4,000 plataformas na sua máxima extensão. Todas as pessoas concordaram na análise que este não era de todo um número sustentável. As plataformas fracas não eram capazes de responder à crescente pressão da regulação, mas o problema era que ao falharem, muitas vezes levavam o dinheiro dos investidores com elas. Mesmo que tenha existido para além de qualquer dúvida fraudes, também existiram casos nos quais as plataformas seguiram procedimentos correctos e apresentaram-se em boa fé no mercado, mas simplesmente não foram capazes de fazer os seus modelos de empréstimos online funcionar.

Garantias e Perdas dos Investidores

Muitos investidores tinham colocado as poupanças de uma vida numa única plataforma de gestão de empréstimos P2P, acreditando que o seu dinheiro estava seguro. Algumas plataformas afirmavam mesmo que garantiam o investimento realizado pelo investidor e outras afirmavam terem garantias do próprio governo. O que estes investidores não compreenderam é que uma vez uma plataforma declara falência essas garantias deixam de ter qualquer valor. Mas os investidores verdadeiramente acreditaram que as plataformas P2P garantiam todos os seus investimentos.

O que correu mal?

Empréstimos peer to peer foram uma experiência falhada na China. Tornou-se de tal forma alvo de fraude e actividades ilegais que até as plataformas bem intecionadas e com um comportamento profissional tiveram dificuldades.

Quando se avaliam responsabilidades, a culpa parece ir inteiramente para uma falha no sistema de regulação. Em 2013 o Banco Popular da China (PBOC) tinha já identificado muitos dos problemas com empréstimos P2P que levaram à ruína da indústria, mas nada fez para evitar isso até ser tarde demais. A realidade é que o negócio de avaliar o risco de empréstimos é muito difícil. É necessária muita experiência, em especial considerando riscos de gestão, e apenas um número pequeno de plataformas verdadeiramente percebeu isso.

Não existia qualquer forma de avaliar a confiabilidade de uma plataforma a não ser o seu tamanho e o tempo que se encontrava no mercado. Desta forma, deu-se origem a uma corrida louca para crescer muito, e de forma super acelerada… não existia qualquer incentivo para que as plataformas se comportassem de forma adequada. Muitas plataformas que de facto tinham uma análise de risco efectiva, e gestão responsável, eram ultrapassadas (pelo menos em dimensão) por outras plataformas menos escrupulosas. Construiu-se um castelo de cartas que aos olhos de hoje, não surpreende que tenham desaparecido num instante.

O que podemos aprender com esta realidade?

Precisamos de assegurar de forma pro-activa que os mesmos erros não sejam repetidos na Europa. É nossa responsabilidade, enquanto investidores, assegurar que seguimos um processo de avaliação cuidadosa e que exigimos maior transparência da parte dos interlocutores da indústria P2P. Numa abordagem distinta, precisamos de exigir acções concretas da parte dos reguladores para estabelecerem standards de protecção de investidores claros e concretos.

Este é um exemplo que deixa clara a importância de uma análise cuidada de risco por parte dos aforradores e a necessidade de terem especial cuidado com a seriedade das plataformas de empréstimos P2P com as quais trabalham.

Aprende sobre o Regulação de Empréstimos P2P (Uma Introdução à Indústria P2P: 3 de 7)


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